terça-feira, 5 de outubro de 2010

Comer, Rezar, Amar

Já falei que adoro ganhar livros? Acho que não, mas vocês provavelmente já devem ter notado, rsrsrs. Para os que me perguntaram como consigo ler tanto, a resposta: como sou relativamente boa na leitura dinâmica e preciso ler sempre alguma ficção para poder ‘desligar’ e dormir o sono dos justos, eu devoro os livros rapidinho. :)
Sobre este livro, ele já vendeu mais de 4 milhões de exemplares e foi traduzido em 36 idiomas. Julia Roberts, Hillary Clinton e Elle Macpherson são algumas das leitores que se apaixonaram por ele.
Mas, confesso, a história em si não é nada original. De início, me pareceu uma cópia mais objetiva e menos esotérica do ”Minhas Vidas”, de Shirley Maclaine, que li quando era ainda uma pré-adolescente.
A história é bem clichê: Liz Gilbert, ao fazer 30 anos, se depara com a famosa “crise dos 30″. Seu casamento está desmoronando e sua vida profissional também não vai muito bem. Ela precisa descobrir quem ela é o que realmente importa para ela. Para tanto, decide demitir-se do emprego e partir para um período sabático de um ano viajando sozinha pelo mundo, passando pela Itália, Índia e Indonésia.
Em Roma, ela decide partir em busca do prazer (leia-se: explorar os melhores restaurantes e comer, comer, comer), além de aprender Italiano. Na Índia, ela se dedica à arte da devoção, com a ajuda de uma guru local e de um caubói texano muito divertido. Finalmente, na Indonésia, com a ajuda de um velho xamã, ela aprende a arte do equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência, e se apaixona por um brasileiro.
Apesar dessa história clichê, a autora brinda os leitores com conhecimentos sobre a cultura e a língua destes três países, o que, ao meu ver, por si só já vale o livro. E, além disso, reforça a idéia de que somos responsáveis pela nossa própria felicidade. Obviamente que ao término da jornada, ela conclui que viajou três países para encontrar o que sempre esteve dentro dela.
Muito interessante no livro, o reforço a tese de que precisamos viver de acordo com o nosso conceito de felicidade e não com o conceito que a sociedade onde vivemos prega. Eu, por exemplo, ao mesmo tempo em que conheço executivos bem sucedidos e tremendamente solitários e infelizes, conheço pessoas que não possuem tanto status, mas que no entanto irradiam paz e felicidade onde passam. E que, principalmente, sentem-se em paz consigo mesmas.

Apenas por essas passagens e ensinamentos, o livro já vale a pena! Aconselho a leitura, principalmente se você estiver tentando “se encontrar”. Para quem adora as culturas e línguas italiana e/ou indiana o livro também é uma ótima fonte de conhecimento. Além disso, a maneira como Gilbert escreve é deliciosa, sempre com muito humor e poesia. 

Com relação as curiosidades do livro, descrevo algumas, das muitas que chamaram a minha atenção:
  1. A palavra italiana ”ciao” é uma abreviação de uma expressão usada pelos venezianos medievais como cumprimento informal: Sono il suo schiavo! ou seja: “Eu sou o seu escravo.”;
  2. O famoso mantra ”Om Namah Shivaya“, significa “Eu honro a divindade que reside em mim”;
  3. Informação interessantíssima sobre como se originou o idioma italiano. É muito extensa para reproduzir aqui, mas você encontra na página 35 do livro. Só para atiçar a curiosidade, vocês sabiam que o italiano falado na Itália hoje foi a linguagem pessoal do grande poeta florentino Dante Alighieri?;
  4. Os italianos são tão fanáticos pelos seus times de futebol que “torcedor” em italiano é “tifoso“. A palavra vem de tifo. Ou seja: alguém tomado por uma febre alta;
  5. Interessante as descrições sobre as cidades de Nápoles e Bolonha;
  6. Sobre de onde se originaram as crenças dos italianos e a máfia na Itália, ná página 85;
  7. “Yoga“, em sânscrito, pode ser traduzido como “união”.;
  8. A palavra “guru” é composta por duas sílabas em sânscrito. A primeira significa “escuridão” e a segunda, “luz”. Da escuridão rumo à luz.;
  9. Como acontece o casamento indiano, na página 131;
  10. Instruções para a liberdade, página 134 -> só isto já vale o livro!
  11. Como funciona a sociedade de Bali, na Indonésia (páginas 161 e 162). Você sabia que, em Bali, toda a criança passa por um ritual, onde tem seus dentes caninos lixados?
  12. “O homem sábio é sempre semelhante a si mesmo.” Antigo filósofo pitagoriano.

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