Sobre este livro, ele já vendeu mais de 4 milhões de exemplares e foi traduzido em 36 idiomas. Julia Roberts, Hillary Clinton e Elle Macpherson são algumas das leitores que se apaixonaram por ele.
Mas, confesso, a história em si não é nada original. De início, me pareceu uma cópia mais objetiva e menos esotérica do ”Minhas Vidas”, de Shirley Maclaine, que li quando era ainda uma pré-adolescente.
A história é bem clichê: Liz Gilbert, ao fazer 30 anos, se depara com a famosa “crise dos 30″. Seu casamento está desmoronando e sua vida profissional também não vai muito bem. Ela precisa descobrir quem ela é o que realmente importa para ela. Para tanto, decide demitir-se do emprego e partir para um período sabático de um ano viajando sozinha pelo mundo, passando pela Itália, Índia e Indonésia.
Em Roma, ela decide partir em busca do prazer (leia-se: explorar os melhores restaurantes e comer, comer, comer), além de aprender Italiano. Na Índia, ela se dedica à arte da devoção, com a ajuda de uma guru local e de um caubói texano muito divertido. Finalmente, na Indonésia, com a ajuda de um velho xamã, ela aprende a arte do equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência, e se apaixona por um brasileiro.
Apesar dessa história clichê, a autora brinda os leitores com conhecimentos sobre a cultura e a língua destes três países, o que, ao meu ver, por si só já vale o livro. E, além disso, reforça a idéia de que somos responsáveis pela nossa própria felicidade. Obviamente que ao término da jornada, ela conclui que viajou três países para encontrar o que sempre esteve dentro dela.
Muito interessante no livro, o reforço a tese de que precisamos viver de acordo com o nosso conceito de felicidade e não com o conceito que a sociedade onde vivemos prega. Eu, por exemplo, ao mesmo tempo em que conheço executivos bem sucedidos e tremendamente solitários e infelizes, conheço pessoas que não possuem tanto status, mas que no entanto irradiam paz e felicidade onde passam. E que, principalmente, sentem-se em paz consigo mesmas.
Apenas por essas passagens e ensinamentos, o livro já vale a pena! Aconselho a leitura, principalmente se você estiver tentando “se encontrar”. Para quem adora as culturas e línguas italiana e/ou indiana o livro também é uma ótima fonte de conhecimento. Além disso, a maneira como Gilbert escreve é deliciosa, sempre com muito humor e poesia.
Com relação as curiosidades do livro, descrevo algumas, das muitas que chamaram a minha atenção:
- A palavra italiana ”ciao” é uma abreviação de uma expressão usada pelos venezianos medievais como cumprimento informal: Sono il suo schiavo! ou seja: “Eu sou o seu escravo.”;
- O famoso mantra ”Om Namah Shivaya“, significa “Eu honro a divindade que reside em mim”;
- Informação interessantíssima sobre como se originou o idioma italiano. É muito extensa para reproduzir aqui, mas você encontra na página 35 do livro. Só para atiçar a curiosidade, vocês sabiam que o italiano falado na Itália hoje foi a linguagem pessoal do grande poeta florentino Dante Alighieri?;
- Os italianos são tão fanáticos pelos seus times de futebol que “torcedor” em italiano é “tifoso“. A palavra vem de tifo. Ou seja: alguém tomado por uma febre alta;
- Interessante as descrições sobre as cidades de Nápoles e Bolonha;
- Sobre de onde se originaram as crenças dos italianos e a máfia na Itália, ná página 85;
- “Yoga“, em sânscrito, pode ser traduzido como “união”.;
- A palavra “guru” é composta por duas sílabas em sânscrito. A primeira significa “escuridão” e a segunda, “luz”. Da escuridão rumo à luz.;
- Como acontece o casamento indiano, na página 131;
- Instruções para a liberdade, página 134 -> só isto já vale o livro!
- Como funciona a sociedade de Bali, na Indonésia (páginas 161 e 162). Você sabia que, em Bali, toda a criança passa por um ritual, onde tem seus dentes caninos lixados?
- “O homem sábio é sempre semelhante a si mesmo.” Antigo filósofo pitagoriano.
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