Era uma vez urna mulher que queria ter uma criança bem pequena e não sabia como. Foi procurar uma bruxa e perguntou:
— Como posso ter uma criança bem pequenininha?
— Vamos ver – disse a bruxa. — Pegue este grão de cevada e plante num vaso. — Muito obrigada – disse a mulher, dando doze moedas à bruxa.
Voltou para casa e plantou o grão no vaso. Nasceu uma flor grande e bonita mas com as pétalas fechadas.
—É uma flor linda. – E a mulher beijou as pétalas coloridas. No mesmo minuto, a flor se abriu e a mulher viu lá dentro uma menina pequenininha, do tamanho de uma polegada.
Por isso, recebeu o nome de Polegarzinha. Seu berço era uma casca de noz e o colchão era feito de pétalas de violeta. De dia, brincava em cima da mesa: a mulher enchia um prato com água e, numa folha, Polegarzinha navegava remando com pedacinhos de crina de cavalo. Era uma cena linda. A menina cantava com uma vozinha doce.
Uma noite, Polegarzinha dormia na noz quando entrou pela janela a Dona Sapa, grande, feia e molhada.
Por isso, recebeu o nome de Polegarzinha. Seu berço era uma casca de noz e o colchão era feito de pétalas de violeta. De dia, brincava em cima da mesa: a mulher enchia um prato com água e, numa folha, Polegarzinha navegava remando com pedacinhos de crina de cavalo. Era uma cena linda. A menina cantava com uma vozinha doce.
— Aí está uma boa mulher para o meu filho — disse a sapa.
Pegou a casca de noz e foi embora pulando para o jardim. Dona Sapa morava com o filho na lama da beira do rio no fundo da casa. O sapo era feio como a mãe e deu uns gritos quando viu a menininha.
— Não fala alto que você vai acordar a criança e ela pode fugir. Vamos pôr uma folha de nenúfar no rio, de modo que ela não possa escapar. De manhãzinha, a menina acordou e começou a chorar, vendo que estava cercada de água, sem poder ir para a terra.
Dona Sapa, depois de enfeitar a casa, nadou com o filho até onde estava Polegarzinha.
Dona Sapa, depois de enfeitar a casa, nadou com o filho até onde estava Polegarzinha.
— Este é o meu filho que vai casar com você. Vocês vão morar muito bem na lama.
O sapo só deu uns gritos. Polegarzinha chorou muito. Uns peixinhos apareceram e ficaram com pena dela. Juntaram-se e roeram o caule que prendia a folha. Quando ela se soltou, foi arrastada pelo rio, levando Polegarzinha para bem longe dos sapos. Ela foi passando por muitos lugares.
O sapo só deu uns gritos. Polegarzinha chorou muito. Uns peixinhos apareceram e ficaram com pena dela. Juntaram-se e roeram o caule que prendia a folha. Quando ela se soltou, foi arrastada pelo rio, levando Polegarzinha para bem longe dos sapos. Ela foi passando por muitos lugares.
— Como ela é bonita — disseram os passarinhos.
Uma borboleta pousou na folha. A menina, toda contente, amarrou uma ponta do cinto na borboleta e outra na folha, que começou a deslizar mais depressa. Um besouro veio, agarrou Polegarzinha pela cintura e voou para uma árvore. Que susto enorme! E que aflição por causa da borboleta amarrada na folha! O besouro deu ruim botão de flor para a menina comer e disse que ela era muito bonita, mesmo sendo tão diferente dele. Outros besouros vieram visitar e disseram:
— Ela só tem duas pernas. Que esquisito! E não tem antenas. Parece gente. Como é feia!
O besouro, que achava a menina linda, acabou acreditando e desistiu dela. Desceu da árvore e deixou a menina num canteiro de margaridas, Ela ficou lá chorando.
Sozinha, passou o verão e o outono. Fez uma cama de galhos trançados e colocou debaixo de uma folha bem grande para não apanhar chuva. Comia néctar das flores e bebia orvalho das Folhas.
Sozinha, passou o verão e o outono. Fez uma cama de galhos trançados e colocou debaixo de uma folha bem grande para não apanhar chuva. Comia néctar das flores e bebia orvalho das Folhas.
Quando o inverno chegou, os passarinhos foram embora e as flores murcharam. Polegarzinha começou a sentir frio. Um só floco de neve cobria seu corpinho de uma polegada.
Atravessando um trigal, ela chegou à casa dos ratos do campo.. Dona Rata teve pena quando Polegarzinha pediu comida.
Atravessando um trigal, ela chegou à casa dos ratos do campo.. Dona Rata teve pena quando Polegarzinha pediu comida.
— Entre, menina. Minha casa é quentinha. Venha comer. Você pode ficar durante o inverno, se me ajudar a limpar tudo e me contar histórias. A menina ficou muito contente e fez o que foi pedido.
— Vou receber a visita do vizinho — disse um dia Dona Rata. — Ele
tem uma capa preta, Você podia se casar com ele, que vive melhor do que eu. Ele não enxerga e bem que gostaria de ouvir suas histórias.
Polegarzinha não gostou muito da idéia. O Senhor Toupeira chegou com sua capa preta. Quando ouviu a voz da menina cantando, se apaixonou por ela. Mas, como era tímido, não falou nada. Ele cavou um túnel entre a sua casa e a casa de Dona Rata. Com um pedaço de madeira fosforescente, saiu na frente clareando o caminho. Chegaram num lugar onde estava um pássaro morto de frio. Polegarzinha ficou com muita pena.
— Que coisa triste ser passarinho! — disse o Senhor Toupeira— Que bom que nenhum filho meu é passarinho. Um bicho assim morre de fome no inverno.
— O senhor tem razão — disse Dona Rata.
Polegarzinha não falou nada mas, assim que os outros se viraram, deu um beijo nos olhos fechados do passarinho. “Quem sabe foi ele que cantou para mim no verão”, pensou ela.
De noite, Polegarzinha não conseguiu dormir. Levantou-se e fez um cobertor que levou para cobrir o pássaro morto.
— Adeus, passarinho! E obrigada pelo seu canto do verão, nas árvores verdes e debaixo do sol! – Encostou a cabeça no peito do passarinho e levou um susto. Ela tinha ouvido bater o coração. Ele não estava morto e, ao ser aquecido, voltou à vida. Polegarzinha ficou com medo mas cobriu melhor o passarinho. Na noite seguinte, ela voltou e o passarinho abriu os olhos por um momento.
— Obrigado, criança, pelo calor que você me trouxe. Vou ficar bom e vou voar de novo no céu e no sol.
— Lá fora está muito frio. Fique aqui que eu trato de você.
Ela trouxe água numa pétala. O passarinho bebeu e contou como tinha se ferido e não tinha podido seguir com os companheiros para a terra quente.
Polegarzinha tratou do pássaro durante o inverno. Não falou nada com o Senhor Toupeira e com Dona Rata. Quando a primavera chegou, o sol esquentou o chão. Polegarzinha abriu um buraco e o passarinho começou a se despedir. Perguntou se ela não queria voar com ele.
— Não posso – disse a menina, pensando na tristeza de Dona Rata. Adeus, menina!
E saiu voando pelo céu cheio de sol. Polegarzinha acompanhou o vôo com os olhos cheios de lágrimas. A menina ficou ainda mais triste porque não podia sair, pois o trigo cresceu muito e virou uma floresta para quem tinha só uma polegada.
E saiu voando pelo céu cheio de sol. Polegarzinha acompanhou o vôo com os olhos cheios de lágrimas. A menina ficou ainda mais triste porque não podia sair, pois o trigo cresceu muito e virou uma floresta para quem tinha só uma polegada.
— No verão você pode fazer o seu enxoval – disse Dona Rata, pensando no casamento de Polegarzinha com o Senhor Toupeira.
Todas as noites, ele vinha visitar as duas e sempre dizia que queria se casar no fim do veráo. A menina não estava nada contente com a idéia. Toda manhã, ela via um pedacinho de céu azul e sentia muita saudade do passarinho. Quando começou o outono, Polegarzinha terminou o enxoval.
— Daqui a um mês você vai se casar – disse Dona Rata.
Polegarzinha começou a chorar, dizendo que não gostava do Senhor Toupeira. — Que bobagem! — falou Dona Rata — Ele vai ser um bom marido. Ele é rico e tem. uma cozinha muito boa.
No dia do casamento, o Senhor Toupeira veio buscar a noiva. Polegarzinha estava triste porque nunca mais ia ver o sol. Quis despedir-se dele e foi até a frente da casa.
— Adeus, sol! Dê lembranças ao passarinho!
— Adeus, sol! Dê lembranças ao passarinho!
Nesse momento, escutou um canto e viu o passarinho. Ele ouviu a triste história do casamento e disse:
— O inverno vem aí e eu vou para a terra quente. Você quer vir comigo?
Vamos para longe do Senhor Toupeira e de sua casa escura. Vamos para onde o sol brilha e onde há sempre flores. Venha comigo, menina que me salvou a vida!
— Vou, sim!
Sentou-se nas costas do passarinho, amarrando-se muito bem com o cinto.
Voaram por cima de mares, florestas e montanhas. Polegarzinha sentiu frio e se enfiou na penugem do pássaro, só com a cabeça de fora para ver as maravilhas
do vôo. Chegaram na terra quente, cheia de sol, céu azul e árvores perfumadas carregadas de frutas. Crianças corriam nas estradas brincando com borboletas coloridas. No alto de um castelo de mármore estava o ninho onde o pássaro morava.
— Esta é a minha casa – disse ele. — Mas se você preferir, pode morar nas flores lá embaixo.
Voaram por cima de mares, florestas e montanhas. Polegarzinha sentiu frio e se enfiou na penugem do pássaro, só com a cabeça de fora para ver as maravilhas
do vôo. Chegaram na terra quente, cheia de sol, céu azul e árvores perfumadas carregadas de frutas. Crianças corriam nas estradas brincando com borboletas coloridas. No alto de um castelo de mármore estava o ninho onde o pássaro morava.
— Esta é a minha casa – disse ele. — Mas se você preferir, pode morar nas flores lá embaixo.
— Que bom! – disse a menina batendo palmas.
No chão, junto a uma coluna partida, cresciam flores lindas, O passarinho voou levando a menina. Polgarzinha estava radiante. No meio de uma flor, estava sentado um homenzinho transparente. Tinha uma coroa de ouro, asas nos ombros e era do tamanho de Polegarzinha. Era o Anjo das Flores. Em cada flor morava um desses, homens e mulheres, mas aquele era o principal.
— Como ele é bonito! — disse Polegarzinha para o pássaro.
O anjo se assustou com o tamanho do pássaro, mas ficou alegre encontrando a menininha mais bonita que ele tinha visto. Ele tirou a coroa da cabeça e colocou nela. Perguntou o nome dela e quis saber se ela queria casar com ele, tornando- se rainha das flores. Como ele era diferente do filho da Dona Sapa, como era diferente do Senhor Toupeira com sua capa preta! Ela disse que sim. De cada flor saiu um homenzinho ou uma mulherzinha com presentes para ela. O melhor presente foi um par de asas de uma mosca branca, que foram coladas nas costas da menina. Ela agora podia voar de uma flor para outra. Todos estavam muito contentes e o passarinho, que via tudo lá de cima, cantava com alegria.
— Seu nome não vai ser mais Polegarzinha — disse o Anjo das Flores. — Não é um nome digno de uma princesa. Você vai se chamar agora Maia.
— Adeus! — disse o passarinho.
E foi embora de novo da terra quente em direção à Dinamarca. Lá ele tinha um ninho na janela da casa de um grande contador de histórias. Foi dele que eu ouvi esta.
Um Conto de Hans Christian Andersen
Ilustrações: Margaret Tarrant
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